Olimpíada de Língua Portuguesa - 8º e 9º - Oficina 5 - Profas. Martha Aurélia e Sayonara Costa
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Comparação: expressão de termo comparativo. Quase sempre acompanhada da conjunção
“como”. Faço versos como quem chora De desalento... de desencanto... (Manuel Bandeira) |
Metonímia: designação de um pormenor pelo conjunto de que se quer falar. Ler Clarice Lispector. (autor pela obra) Comer o pão (por alimento) que o diabo amassou (por sofrimento). |
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Metáfora: comparação mental ou abreviada em que prevalece a relação de
semelhança. Não aparece a conjunção “como”. Na sua mente povoa só maldade. Meu coração é um balde despejado |
Personificação ou prosopopeia: atribuição de ações, qualidades ou sentimentos a
seres inanimados. O tempo passou na janela e só Carolina não viu. (Chico Buarque de Holanda) |
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Sinestesia: interpretação de planos sensoriais, mistura de sensações de sentidos
diferentes. Como na metáfora, relaciona elementos de universos diferentes. Senti um cheiro doce no ar. |
Hipérbole: afirmação exagerada. Falei mil vezes para você! Morri de estudar para o vestibular. |
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Eufemismo: emprego de termos considerados mais leves para suavizar uma
expressão considerada cruel ou ofensiva. Foi para o céu, em vez de morreu. Está forte, em vez de está
gorda. |
Ironia:
sugestão pela entonação e pelo contexto de algo contrário ao que pensamos,
geralmente com intenção sarcástica. A excelente D. Inácia era mestra na arte de
judiar de crianças. (Monteiro Lobato) |
“Acho que crônica é uma espécie
de lupa que você coloca em um assunto. E qualquer assunto que você olhar com
uma lupa é interessante. [...] consigo ir puxando esse fio para ver aonde ele
leva. A crônica é um exercício livre de escrita. Você não precisa de uma
história. Uma das graças de escrever é ver onde aquilo vai dar. [...] Muitas
vezes também a crônica não nasce de algo vivido; às vezes eu crio uma situação,
um encontro com uma pessoa, um vizinho. A crônica não é um relato fiel, a
situação que eu estou dizendo que aconteceu, muitas vezes não aconteceu, é ficção.”
(Antônio Prata)
O novo normal
Antônio Prata
— Oi, tudo bem? Você é o...?
— Novo Normal.
— Não acredito! Você é o Novo Normal?!
— Eu mesmo.
— Rapaz! Você chegou, finalmente! Faz um ano que só
falam de você! Ah, o Novo Normal vai ser assim, o Novo Normal vai ser assado! Posso
te dar um abraço?
O Novo Normal recua.
— Ah, claro! Contágio, né? Óbvio! Gente,
gente! Vem cá! Esse aqui é o Novo Normal!
Uma meia dúzia se aproxima, uns estendem as
mãos, outros já se espicham pra um beijo.
— Péra, pessoal, o Novo Normal é sem abraço,
beijo ou aperto de mão, certo, Novo? Pode chamar de Novo?
— Prefiro Novo Normal, pra não confundir com o
partido.
Uma convidada o olha, curiosa.
— Não sei por que, mas confesso que eu te
esperava baixo, gordinho e careca.
— Muita gente me imagina assim. Acho que é o
nome, né? Novo Normal, muito “o”, lembra ovo... Mas durante a quarentena o
pessoal comeu muito, o Novo Normal é alto.
— Escuta, cê aceita uma bebida? Uma comida?
— Obrigado, eu engordei 7 kg durante a
quarentena e bebi demais. Os hábitos do Novo Normal agora são comida saudável e
zero álcool.
Uma convidada abandona, discretamente, a taça de vinho sobre uma mesa. Um convidado dispensa uma empada num vaso de pacová. Um outro puxa papo.
— Fala mais de você. O Novo Normal gosta de
sair? De ir no cinema? No teatro? Em show?
— Não. Nada disso rola com o Novo Normal. Com
a quarentena, as relações à distância se estabeleceram pra ficar.
Uma convidada, decepcionada, toma a dianteira:
— E aquela previsão de que o Carnaval
pós-quarentena ia ser tão louco que faria Sodoma e Gomorra ficarem parecendo
Aparecida do Norte?
— Deu chabu. O Novo Normal é saudável,
cauteloso, precavido. O carnaval pós pandemia será pelo Zoom. Quem quiser
anotar aí, aliás: www.telecotech.ziriguizoom.med.
— Ponto med?!
— É. O Carnaval agora é organizado pelo
Ministério da Saúde. E o Carnaval de rua, pelo Ministério da Ciência e
Tecnologia, porque é todo dentro do Minecraft.
— Que horror! Eu tô solteira! Como eu vou
arrumar um namorado, assim?
(...)
— Você não tem namorada?
— Presencialmente, não.
Deprimido com o Novo Normal, o anfitrião sai
da roda discretamente e vai tomar uma água na cozinha. Ali encontra uma galera
aglomerada, morrendo de rir de uma história contada por um gordinho, baixinho, careca, uma versão
gente fina de um George Costanza, com uma cerveja numa mão e um cigarro na
outra. O anfitrião cutuca uma amiga por ali:
— Quem é o figura?!
— Não tá reconhecendo? É o Velho Normal! Saindo
daqui a gente vai pra um caraoquê na Liberdade e vamos terminar a noite comendo
uma bisteca no Sujinho. Topa?
Quatro e meia da manhã, abraçados, todos sobem
a Consolação pulando e cantando: “Ooooo! Velho Normal voltô ô ô! Velho Normal
voltô ô ô! Velho Normal voltôôôô oooo!”.
Após a leitura da
crônica, observe os trechos em negrito e identifique quais figuras de linguagem
foram empregadas em cada um deles.
Bons estudos! Até a próxima!

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